Palavrão É Sinceridade? Diversos

Saiu uma notícia contando que quem diz palavrão é mais sincero, mais honesto. Não estou brincando gente. Isso é sério! Eu já tinha essa impressão. Quando uma pessoa solta um palavrão, para mim está sendo sincera. E ainda varia o tom. Palavrão pode ser agressão, brincadeira ou até piada. Sou fã incondicional de um palavrão na hora certa. A pesquisa confirmou. Eu não sou um cara estourado e mal educado às vezes, capaz de soltar um palavrão. Sou apenas uma alma sincera. Lindo, eu!
Pensei até em criar um novo detector de mentiras. A honestidade da pessoa será avaliada pela quantidade de palavrões que diz. Por exemplo, um traficante é preso. Interrogado. Se disser palavrões, está falando a verdade. Está? Bem, só estou pensando em técnicas para conhecer melhor uma pessoa.
Mas temos exemplos. A falecida atriz Dercy Gonçalves foi umas das pessoas mais honestas do mundo. Adorava soltar um palavrão. Teve vida longa, longuíssima. Talvez a honestidade prolongue a vida, que tal?
Toda vez que solto um palavrão, lembro-me de minha mãe nos meus tempos de menino. Dizia que falar palavrão é feio. Embora às vezes, ela mesma soltasse um, disfarçando um pouco. Pobre mamãe, quem imaginaria que eu revelaria seu segredo aqui na internet. Deus a Tenha. Mas minha mãe, tão simpática e boa gente devem estar no céu. Não imagino que os anjos digam palavrões. Tocam harpas. Mas também, ninguém sabe que palavra vem à suas mentes quando uma corda arrebenta em suas mãos. Deve ser algum termo em aramaico, língua falada nos tempos de Cristo. E se é em aramaico, não é palavrão.
Eu já quis muito escrever um livro sobre o aluno CDF, hostilizado pelos coleguinhas. A ideia foi de uma professora, na verdade. Fez a sugestão, em uma palestra que dei numa escola. Falei com várias editoras. Nenhuma topou. O palavrão faria com que o livro não fosse adotado nas escolas, como são todos os meus. Os pais reclamariam. Não escrevi, mas é injustiça! Crianças falam palavrão e seria libertador conviver com isso em uma história, que poderia provocar discussões sobre falar e não falar, respeito ao outro, etc. E sendo sincero: os pais que tanto reclamam também falam. Podem não falar sempre. Mas quem nunca soltou um palavrão, quando bate o martelo no dedo, ao botar um prego na parede?
Falar palavrão no meio de uma discussão ,por exemplo, parece dá uma sensação de alívio, diminui a raiva. Palavrão é terapia! Um bom terapeuta devia sugerir ao cliente.
— Agora diga um palavrão e estará tudo bem.
O cliente solta um pqp aos gritos. Em seguida, relaxa. Ou manda para aquele lugar os traumas de infância. Freud pode estar se contorcendo no túmulo. Mas faria tão bem como descobrir o complexo de Édipo.
Não escondo. Quando vou explodir, solto um bom palavrão. Ou brinco, usando um palavrão quase como carinho. Até como elogio. Quem nunca ouviu?
— Você é um grande fdp!
E a pessoa ri, feliz. Principalmente se for um vendedor de carros que passou um com motor fundido pra frente. E eu ao mandar o palavrão, sou sincero. Critico a desonestidade. Mas ele ri, porque sabe que foi safado. FDP mesmo. Mas é claro, pode ser usado em situações mais amenas, como quando leio um texto incrível.
— PQP, que livro é esse? Gênio, cara, gênio.
Seja como for, palavrões fazem parte da vida. Da minha. Da sua. E se não gostou desse texto, aproveite. Solte um. Eu não ligo.

balao-palavroes

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Observações

  1. Rômulo D'Castro Diz: novembro 5, 2016 at 9:57 pm

    Puta que pariu de texto bom.

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